Gênero: Ação, Roguelite
Plataformas: PC
Desenvolvedora: Leap Studio
Publicadora: 4Divinity
Data de lançamento: 17 de maio de 2024
Agradecemos à Leap Studio pelo envio da chave utilizada nesta análise.
Realm of Ink é um roguelite de ação desenvolvido pela Leap Studio e publicado pela 4Divinity, ambientado em um universo de fantasia oriental construído a partir de tinta e elementos do folclore chinês. Seguindo a estrutura popularizada por títulos como Hades, o jogo aposta em tentativas sucessivas nas quais cada avanço contribui para a evolução da personagem e para a descoberta de novas possibilidades de builds.
Entre destino e liberdade
A história acompanha Danzhu, uma espadachim que descobre que sua existência está sendo manipulada pelo chamado Caminho Celestial. Ao perceber que sua vida está presa a um destino previamente determinado, ela decide desafiar as regras desse mundo e buscar uma forma de conquistar a própria liberdade.
A narrativa funciona especialmente bem por abraçar a estrutura de repetição característica dos roguelites. Muitos diálogos inicialmente parecem enigmáticos ou deixam informações sem explicação, mas novas tentativas permitem reencontrar personagens, descobrir outros contextos e compreender melhor acontecimentos que antes pareciam desconexos. Dessa forma, o próprio ciclo de avanço e derrota contribui para montar as peças da trama.
Os personagens também são bastante carismáticos e ajudam a tornar cada nova jornada mais interessante. Isso se estende aos próprios chefes, que não estão ali apenas para representar um desafio mecânico. Muitos possuem histórias e motivações próprias, e descobrir o que aconteceu com essas figuras e qual é sua relação com o Mundo da Tinta se torna uma das partes mais interessantes da narrativa.
A ambientação de Realm of Ink também merece destaque. O título utiliza elementos do folclore oriental para construir um mundo que mistura florestas de bambu, montanhas sagradas, vilas, túmulos e outras paisagens estilizadas. As criaturas encontradas pelo caminho seguem a mesma inspiração, dando ao universo uma identidade bastante própria e fazendo da exploração uma oportunidade para descobrir mais sobre esse cenário.
Combate responsivo e construção de inúmeras builds
O combate gira em torno de uma estrutura simples e bastante responsiva, baseada principalmente em ataque fraco, ataque forte e esquiva. Um dos principais diferenciais está nos chamados espíritos companheiros, que funcionam como uma espécie de mascote durante os confrontos. Eles podem auxiliar Danzhu de diferentes maneiras e, dependendo dos Tesouros de Tinta utilizados, também assumir formas distintas.
Outro elemento fundamental são as Relíquias, responsáveis por modificar diferentes estatísticas e características da personagem. Ao combinar esses recursos com os Tesouros de Tinta e os espíritos, é possível criar configurações bastante distintas, priorizando dano, resistência, velocidade ou outros atributos que favoreçam determinado estilo de jogo, incluindo a aplicação de efeitos maléficos.
A grande quantidade de opções é justamente o que permite que uma tentativa seja bastante diferente da anterior. Como os recursos disponíveis variam a cada incursão, é necessário adaptar a estratégia e aproveitar as combinações encontradas. Isso abre espaço para inúmeras builds e cria aquela sensação de experimentação fundamental para um bom roguelite, incentivando novas partidas mesmo depois de uma derrota.
Evolução entre as partidas
Entre uma tentativa e outra, há um hub que funciona como ponto central para a progressão permanente. Isso significa que uma derrota não faz com que todo o avanço seja perdido, já que os recursos acumulados podem ser utilizados para adquirir melhorias que permanecem disponíveis nas próximas incursões. O sistema reduz a frustração causada pelas derrotas e cria uma sensação constante de evolução.
É possível melhorar tanto os atributos de Danzhu quanto os de seu espírito companheiro, mas essas melhorias exigem um investimento considerável. Na prática, os custos fazem com que seja necessário completar diversas partidas para reunir recursos suficientes, incentivando o jogador a continuar avançando mesmo depois de uma tentativa malsucedida.
A progressão também não se limita aos atributos. Durante a jornada, podemos desbloquear novos personagens e skins, e cada um apresenta características e estilos de combate próprios. Essa diversidade amplia as possibilidades de experimentação e funciona como um incentivo adicional para continuar jogando, especialmente para quem gosta de testar diferentes maneiras de encarar os confrontos.
Por outro lado, o jogo apresenta uma limitação importante na variedade das fases. Depois de algumas horas, a estrutura das regiões começa a se tornar previsível, fazendo com que seja possível antecipar qual será a próxima área e até mesmo o chefe que aparecerá no caminho. Para um roguelite baseado justamente na ideia de partidas diferentes, uma quantidade maior de regiões e combinações ajudaria a preservar a sensação de surpresa durante sessões mais longas.
O jogo oferece suporte a diversos idiomas, incluindo português do Brasil, o que amplia bastante o alcance da experiência e pode atender jogadores de diferentes regiões. Durante nossos testes iniciais, porém, encontramos uma falha específica em que determinados textos exibiam caracteres coloridos diretamente como código, indicando uma quebra na formatação da tradução. No entanto, acreditamos que atualizações rapidamente resolveram esse problema.
Um roguelite extremamente divertido
Realm of Ink combina combate ágil, diferentes possibilidades de builds e uma narrativa que se beneficia diretamente da estrutura de partidas sucessivas. A progressão permanente, os personagens adicionais e a identidade visual inspirada na fantasia oriental ajudam a manter o interesse em novas tentativas, embora a pouca variedade de regiões limite um pouco a experiência a longo prazo. Ainda assim, é uma ótima opção para quem gosta do gênero.






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